Goiânia entrou no radar do Brasil: por que o mercado imobiliário da capital vive uma nova fase de expansão

Goiânia entrou no radar do Brasil: por que o mercado imobiliário da capital vive uma nova fase de expansão

Por Alex Venceslau · · 6 min de leitura

Atualizado em

Goiania

Goiânia sempre teve um mercado imobiliário forte. Mas, em 2026, alguns movimentos indicam que a cidade pode estar entrando em uma fase diferente: a de um mercado que não apenas cresce, mas começa a atrair investimentos, marcas e projetos de escala nacional.

Nos últimos meses, a capital goiana ganhou empreendimentos de grande porte, novos conceitos de ocupação urbana e investidores que até pouco tempo não tinham Goiânia como seu principal mercado.

A chegada da ATrinca Real Estate, grupo fundado por nomes como Flávio Augusto, Cézar Haik, Caio Carneiro e Joel Jota, é um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação.

Em parceria com a EBM, a ATrinca participou do desenvolvimento do Metropolitan Marista, um empreendimento com VGV estimado em R$ 500 milhões. O projeto reúne unidades residenciais, studios, salas comerciais e lajes corporativas em um complexo de uso misto no Setor Marista.

Mas o Metropolitan é apenas uma peça de um movimento muito maior.

Goiânia já é um dos maiores mercados imobiliários do Brasil

Os números ajudam a entender por que tantos olhos estão se voltando para a capital.

Goiânia ocupa atualmente a terceira posição entre os maiores mercados imobiliários do país, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

No primeiro trimestre de 2026, foram comercializados 2.882 imóveis residenciais na cidade, um crescimento de 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ao mesmo tempo, o preço médio do metro quadrado chegou a R$ 10.914, com crescimento de 3,6% no período.

Nos bairros mais valorizados, os números são ainda maiores. No primeiro trimestre, Marista, Bueno, Oeste e Jardim Goiás apresentaram preço médio de R$ 12.881/m². O Setor Marista liderou, chegando a R$ 13.462/m².

Ou seja: existe demanda, existe volume de vendas e existe valorização.

E existe algo ainda mais importante: existe capital chegando.

Flávio Augusto e a ATrinca colocam Goiânia no mapa nacional

Talvez um dos sinais mais simbólicos dessa nova fase tenha sido a entrada da ATrinca Real Estate no mercado goiano.

Fundada por Flávio Augusto, Cézar Haik, Caio Carneiro e Joel Jota, a empresa escolheu Goiânia para um dos seus novos movimentos no mercado imobiliário.

A parceria com a EBM deu origem ao Metropolitan Marista, lançado em agosto de 2026.

Mais do que um novo empreendimento, a chegada da ATrinca representa algo relevante para a cidade: investidores de fora estão olhando para Goiânia e identificando oportunidades suficientes para colocar capital e reputação em projetos de grande escala.

Flávio Augusto resumiu essa percepção ao destacar três fatores: crescimento acima da média, expansão econômica e preços ainda competitivos em relação a outros grandes mercados brasileiros.

Esse talvez seja um dos melhores indicadores de maturidade de um mercado.

Quando grandes investidores começam a olhar para uma cidade, eles não analisam apenas o preço do imóvel.

Eles analisam população, renda, economia, demanda, liquidez, oferta futura, infraestrutura e capacidade de valorização.

E Goiânia está passando a fazer parte dessa conta.

O efeito Flamboyant: quando um empreendimento começa a transformar uma região

Outro movimento que chama atenção é o novo ciclo de expansão do Grupo Flamboyant.

O grupo anunciou investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em uma nova etapa de expansão, incluindo a ampliação do Flamboyant Shopping e novos empreendimentos no entorno.

O projeto prevê aproximadamente 37 mil m² adicionais de área bruta locável, além de novas lojas, restaurantes, cinema, supermercado e centro médico.

Mas o movimento vai além do shopping.

A Flamboyant Urbanismo também apresentou em 2026 um novo conceito de ecossistema urbano, desenvolvido em parceria com o escritório internacional Foster + Partners.

A proposta combina moradia, lazer, educação, serviços e experiências em uma mesma estratégia urbana, incluindo até um complexo de surf com piscina de ondas na região da GO-020.

Isso mostra uma mudança importante na própria lógica dos empreendimentos.

A disputa não é mais apenas por metragem quadrada.

É pela criação de experiências, conveniência e novos polos urbanos.

A nova geração de empreendimentos de Goiânia

Os lançamentos recentes mostram que o mercado está ficando mais sofisticado e segmentado.

Existem studios para investidores, apartamentos compactos, imóveis de alto padrão, empreendimentos mixed-use, produtos corporativos e grandes projetos urbanos.

No primeiro semestre de 2026, diversos setores da cidade receberam novos projetos, com forte concentração em regiões como Marista, Serrinha, Jardim Goiás, Bueno, Alto da Glória e Pedro Ludovico.

Isso também muda o perfil do comprador.

Goiânia não está atraindo apenas quem quer comprar um apartamento para morar.

O mercado também é impulsionado por investidores que buscam renda, valorização patrimonial e diversificação.

O Setor Marista talvez seja o melhor exemplo dessa transformação

Poucos bairros representam tão bem essa nova fase quanto o Setor Marista.

O bairro já era tradicionalmente associado ao alto padrão. Porém, sua transformação nos últimos anos foi muito além do residencial.

Hoje, o Marista concentra restaurantes, clínicas, academias, escritórios, hotéis, comércio e serviços.

Segundo informações divulgadas pelo próprio mercado, o setor reúne mais de 3.500 empresas e estabelecimentos e movimenta cerca de R$ 2,8 bilhões por ano em atividade econômica.

É justamente essa combinação que torna o bairro tão interessante para novos projetos.

A pessoa pode morar, trabalhar, fazer compras, frequentar restaurantes, praticar atividades físicas e acessar serviços sem precisar atravessar a cidade.

É o conceito de cidade compacta ganhando força dentro de Goiânia.

E o Metropolitan Marista é um exemplo claro dessa tendência: um único complexo reunindo residência, escritórios, salas comerciais e espaços de convivência.

Não é apenas sobre construir mais. É sobre transformar a cidade.

Talvez essa seja a principal característica do atual ciclo imobiliário de Goiânia.

Os novos projetos estão começando a disputar não apenas compradores, mas também a capacidade de transformar o entorno.

Um grande empreendimento pode trazer restaurantes, empresas, serviços, circulação de pessoas e novos investimentos para uma região.

Um shopping pode ampliar sua área e criar novas âncoras de consumo.

Um bairro pode deixar de ser predominantemente residencial e se transformar em uma centralidade urbana.

E um projeto de grande escala pode funcionar como catalisador para todo o seu entorno.

Por isso, analisar o mercado imobiliário de Goiânia apenas pelo número de apartamentos lançados pode ser insuficiente.

É preciso observar o que está acontecendo com a cidade.

O que pode acontecer daqui para frente?

Os sinais de 2026 apontam para um mercado que ainda tem espaço para crescer, mas que também começa a enfrentar desafios típicos de mercados mais maduros.

Um deles é a oferta de terrenos e o custo de novos projetos.

Outro é a velocidade de aprovação dos empreendimentos. A própria Ademi-GO vem alertando para impactos causados pelo aumento no tempo de aprovação de projetos, enquanto a demanda continua aquecida.

Isso cria uma equação interessante.

De um lado, existe demanda.

De outro, existe uma oferta que precisa acompanhar essa demanda.

Quando essa relação fica desequilibrada, preços e terrenos tendem a sofrer pressão.

Para o comprador, isso significa que localização, qualidade do empreendimento, reputação da incorporadora e momento de compra ganham ainda mais importância.

Para o investidor, significa que escolher simplesmente “um imóvel em Goiânia” já não é suficiente.

É necessário escolher o bairro, o produto e o projeto certo.

Goiânia está mudando de patamar

A chegada de investidores como Flávio Augusto, a expansão do Flamboyant, os grandes lançamentos das incorporadoras locais e nacionais e o crescimento das vendas formam um conjunto de sinais difíceis de ignorar.

Goiânia não está apenas construindo mais prédios.

A cidade está criando novos polos de desenvolvimento, atraindo capital externo e experimentando novos modelos de ocupação urbana.

Talvez o mais interessante seja que esse movimento ainda parece estar no começo.

A combinação de crescimento econômico, demanda imobiliária, expansão urbana, novos investimentos e uma posição competitiva de preços coloca Goiânia em uma posição privilegiada no cenário nacional.

O próximo ciclo do mercado imobiliário goiano provavelmente não será definido apenas pela quantidade de empreendimentos lançados.

Será definido por quem está investindo, onde está investindo e quais novos lugares da cidade esses investimentos serão capazes de criar.

E, olhando para os movimentos de 2026, uma coisa parece clara:

Goiânia entrou definitivamente no radar do mercado imobiliário nacional.

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